quinta-feira, 5 de novembro de 2009

hoje

there is the town idiot
the one who stands out
the one who sees all
the idiot who goes along with all the punk rock paradoxes
town idiot
the one in small towns that they rally around after a major faux pas
has taken place
usually felony time
they say he's an idiot
but he's our idiot
in cities the idiot becomes the landscape
there is no rally
there is no real identification with the idiot
they let him be killed
no felony time allowed
my home is no longer a town
it is not a city
too many people define the idiot
too few to be closed off
or the idiot will stand out
o where is the town idiot hiding?
maybe he's hiding in me
idiotic in the paradoxes within my community
a life of no communication
i am the town idiot
it was created to get away from the establishment
rebel
i fought the establishment
now i am the establishment
live on cnn
the passing of the torch
i took the damn thing
town idiot
they're watching us and they haven't got a clue
see all our paradoxes
i've got frizzy orange hair
laugh lines
i put on a squirt flower with flare
everyone laughs
wants me at their party
but of all the jokes
i'll put black ink in the cup you drink
i am the town idiot
they're always watching
we are their future
i see freak boy
he ain't no female
he ain't no person of color
he surpasses all boundaries
to be a freak boy you must be white
then be quirky
ever see a freak girl
i am the town idiot
freak boy has a lot of power
maybe i'll tell him what to think
maybe i'll lie and tell people what i want him to say
no maybe we have too many morals and ethics
town idiot is in me
we don't believe in god but we are in moral decline
so we establish morals and ethics to set our lives by
so we end up a lunatic fringe pushing our beliefs on others
we are not in denial of god
we've just made him in an image of ourselves
we are all god
i am god
i am the town idiot
i am god
the town idiot is hiding in me
religion is losing its influence so you can make god
an image of yourself
and i still see freak boy on the street being
nice nice nice nice
he is not an asshole
assholes are insecure
and freak boy is too busy being nice nice nice nice
pretending to empathize with others
that he can no longer find his own insecurities
he speaks the common language
he feeds off his own intelligence
so in the real world he is the asshole
i am god
i will decide what you will think
did you know i have to tell you what it's about
i'm too ugly to fuck
my breasts have been sagging
did you know internal organs sag also
my heart is sagging too into my knees
i fall on my knees begging for notice
and cutting off the flow to my heart
i am begging for notice
i am killing myself
he is hiding in me
i am the town idiot
i make god an image of myself
i am god
now i've pushed my beliefs on you
if i make you feel i am understanding you
then we are communicating
excuse me dialoging like the nice boy
like the freak boy
whatever happened to talking
i feel this meeting needs a closure
i feel this thing in me god idiot
he's hiding in me
do you date a freak boy
do you date a nice boy
then you must be opressed
opression makes you repressed
so you understand the need for feminism
i've got frizzy orange hair
laugh lines
i put on a squirt flower with flare
everyone laughs
wants me at their party
but of all the jokes
i'll put black ink in the cup you drink
so i am god
so i am the town idiot
tell me how to be you
tell me all sorts of things
trying to make you like me
i'll be just like you...

i am god
i am the town idiot..

[kicking giant]

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

muchasmuchas ganas

Quero subir em pé de goiaba, escorregar, quero me apaixonar, quero cantar meus refrões preferidos, pelada, na sacada. Quero colo, cafuné, conversas&risadas até tarde da noite, quero devorar, quem quer que seja -- o que quer que seja. Livros, filmes novos filmes velhos, quero dançar fora do ritmo, quero me permitir de verdade. Quero querer - querer é poder? Eu posso, eu quero. Quero melancia, gelada, suada, quero canções vozes melodias batidas lentas rápidas frenéticas desgraçadas. Quero estradas lindas longas intermináveis, quero sonhos loucos, pedalar em nuvens, cores saborosas, sinestesia, feminismo quero sim, quero viagens extremas ou céu, mar, montanha, quero água fresca, sol, sorrisos, brincadeiras, quero jogar bola, piscina de bolinhas, quero pular correr com crianças, cachorros, gatos, cavalos quero cambalhotas, barulhos, rolês, gritos, quero caos, o desfecho do espetáculo, quero, eu vou, mãos dadas corações plenos pensamentos livres......

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

La puerta de los años, la vi saberse bella ...

Por sorte, cresci com as mais belas vozes dentro de casa. Elis Regina, Alberta Hunter, Mercedes Sosa.. eu diria que foram as mulheres que mais ouvi cantando durante toda a minha infância. Minha mãe era fã de todas e eu, em consequência disso, me tornei também uma admiradora. Especialmente da Mercedes, acredito que muita gente já teve seu sono embalado pela voz da Negra... zás!




Elis e Alberta já haviam morrido quando eu nasci e eu acabei crescendo com a perfeita noção disso, elas eram vozes antes de serem gente. O contrário acontecia com Mercedes, e dia 4 agora foi a vez dela. Cheguei em casa domingo à noite e minha mãe triste me deu a notícia. Fiquei pasma, não pela morte da Negra que já estava velhinha e doente há tempos, mas pela coincidência brutal que se seguiu. Há algum tempo havia cismado com uma música que vivia na minha cabeça, sempre que o refrão aparecia (do nada) na minha mente eu acabava cantarolando tropeçando no espanhol, cuanto trabajo para una mujer saber quedarse sola y envejecer...

Cuanto trabajo, eu pensava, é uma das coisas mais bonitas que eu já ouvi. Na semana anterior eu havia finalmente marcado de tatuar uma frase desta música (escrita por Gloria Martín), em homenagem a minha mãe. Já era uma decisão tomada há meses, e fui juntando dinheiro até que a hora certa chegasse. Foi uma puta coincidência, marquei a tatuagem para segunda-feira. No domingo, Mercedes nos deixa. Foi como se eu tivesse duplicado a homenagem, para as mulheres que tanto marcaram a minha vida.

Quem me rabiscou dessa vez foi o Raphael Torres, que já tinha tatuado uma bela cigana no meu braço e que agora deixou mais um belíssimo rosto marcado na minha pele. Para Mamãe, para La Negra e para todas as mulheres que sozinhas seguem lutando de alguma forma..



La vi quemar el agua, la vi mojar el fuego, le vi crecer las manos velando nuestros sueños... mi madre fue mi padre, mi voz y mi alimento...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Carta a ser enviada para o Céu

Eu nunca pensei que eu nunca mais fosse te ver de novo. E também achei que eu iria primeiro, você mesmo me disse, I'll think you'll die first. Totally, eu dizia.

Faz mais de dois anos que nos conhecemos naquela festa queer clandestina na praia de Hove. Eu era uma estrangeira, sóbria e assustada, não conhecia ninguém a não ser algumas meninas que me convidaram para lá e que não haviam chegado ainda. Eu sentei no chão de cascalhos e esperei, foi quando você me apareceu. Tipo um anjo, e talvez você fosse um mesmo. Hey stranger, fancy some alcohol? Você estava muito louco, cara. E eu estava morrendo de medo. As gurias não chegavam nunca, e tudo o que eu menos queria no momento era um estranho virado de ácido puxando papo comigo. Mas eu não consegui ver maldade em você, porra. Aceitei o drinque, cidra gelada, e logo estava tagarelando contigo a respeito de como fui parar em Brighton, da minha vida no Brasil, a faculdade de filosofia, o gosto horrível da comida inglesa, da emoção de estar ali e eu nem sei se você lembraria de tudo isso, de tão louco, mas você elogiou o meu inglês, me contou da sua vida, da sua sobrinha recém-nascida, a vida no subúrbio londrino e a recém-chegada a Brighton, não para estudar - fucking bollocks! - mas para recomeçar uma vida nova, de acordo com o seus termos. E eu te admirei muito por isso, e conversamos durante horas até que as meninas chegaram e você as conhecia, o que me deixou muito aliviada. Mas não te vi mais nessa noite.

E quando me dei conta, você era o meu companheiro inseparável. Depois da noite na praia, te encontrei nos arredores do pier, onde eu trabalhava, sentado no seu skate e lendo um livro qualquer. Você disse que eu era uma das poucas coisas da qual se lembrava, o que me deixou de certo modo bastante lisonjeada. Quando me dei conta, estávamos andando de bicicleta, pedalando até o Devil's Dyke ou até Lewes, fazendo lanchões vegetarianos e colando nos mais variados sons. Quando me dei conta, estávamos viajando juntos de trem para Londres, pegando ônibus para outras cidades, arranjando trabalho e moradia juntos. Quando me dei conta, estávamos fumando um no telhado da velha senhoria dos mil gatos em Boscombe, Bournemouth. Quando me dei conta, estava muito louca com você nas mais diversas situações, estava conhecendo os lugares mais inesperados e mais interessantes da Inglaterra, coisa que nenhum turista gostaria de ver. Quando me dei conta, eu já não conseguia ficar longe de você.

Você me apresentava garotas fantásticas, bandas maravilhosas (have you ever felt multiple musicgasms, Carol?), dicas de inglês e eu te ensinei a falar português quase perfeitamente, ensinava tudo o que eu sabia sobre música (i knew those musicgasms), literatura e (contra)cultura em geral. Você me acobertava na minha situação de ilegalidade, e eu te ensinava a lidar com a fome e com todos os perrengues que passávamos pela falta de grana. Eu lembro daquela vez em Nottingham quando estávamos na casa daquele seu namorico e que saímos todos muito altos e a polícia nos cercou e conseguimos dispersá-los por pouco. Foi talvez o maior cagaço que eu passei na vida. Lembro ainda daquela nossa primeira - e única - briga (por causa de algumas libras) em Londres, quando nos separamos pela primeira vez em dois meses. Você foi para a casa daquele seu amigo em Mile End e eu fiquei no albergue em Victoria, room 43, com mais cinco meninas desconhecidas. Impossível comunicação. Só eu e mais duas falavam inglês e eu passei meus dois dias mais difíceis naquele país cinza, não tinha ninguém com quem conversar. E se tinha, a conversa não valia a pena. Minhas amigas estavam todas em Brighton e as pessoas estrangeiras que conheci, amig@s do lugar onde eu estudava, a maioria continuava em Hove ou já haviam voltado para seus respectivos países, já que o verão já estava se preparando para sumir de vez. E eu lembro então, que eu estava sentada naquele pub na esquina da Belgrave Road, pertinho do hostel, e você surgiu do nada dizendo Vá si fódêrr! Marquis of Westminster??? Você chegou, com uma laranja na mão pedindo ajuda para descascá-la: I'm fucking wandering all around this devilish devil-fuckingbabylon-city to get some help with this shit e eu não pude conter o riso, era impossível. Primeiro pelo nome do lugar, de fato, Marquis of Westminster não era lá grandes coisa, e depois, eu não acreditava que eu ia me render por causa de uma mísera laranja. Mas eu estava lá, chainsmoking e enchendo a fuça de Strongbow, e você logo sentou, me pediu desculpas e eu pedi desculpas, e descasquei a porcaria da laranja, e você degustou-a como se fosse a melhor laranja do mundo, e nós nos abraçamos e você chorou, eu chorei. London, você disse, makes us all feel like shit. Pegamos nossas coisas e compramos bilhete pro primeiro trem para Brighton. Chegamos a tempo de pegar um rango no nosso lugar preferido, o Planet Janet, onde gastamos quase todo o nosso dinheiro e eu te obriguei a comer açaí e você odiou, mas comeu mesmo assim porque era caro. Era aquele açaí que estava ruim, você tinha que ter vindo pra cá experimentar o que é bom pra tosse. E aí seguimos para o West Pier, onde você me apresentou a sua irmã e a pequena filhinha dela, e passamos o resto do dia na praia onde eu te conheci e onde eu tirei a minha foto favorita e onde ficamos até anoitecer, depois que elas foram embora, conversando sobre a vida, a morte, suicídio, insatisfação, o (e a falta de) sentido das coisas e a imprevisibilidade de tudo: Nem eu nem você poderíamos imaginar tamanho companheirismo e afinidade assim, do nada. E eu não consigo deixar de me sentir um pouco mais completa quando lembro de tudo o que passamos juntos.

Mas uma hora ou outra eu ia ter que voltar para o Brasil, e claro que você não tinha condições de vir comigo. Mas eu te esperei, você prometeu me visitar e sempre te chamava nas nossas trocas de e-mails e conferências de vídeo, até que minha caixa de entrada nunca mais recebeu notícia, meu skype ficou deserto e no meu msn, puf, nada também. Talvez eu mesma tenha negligenciado nossa comunicação, mas eu jamais deixei de pensar em você, amigo.

Não te vejo faz mais de dois anos já. E faz quase um ano que essa ausência, que já era tão difícil, se tornou permanente. Sobre o telefonema da tua irmã, os e-mails das meninas, o choque da notícia, e a raiva que eu sinto de você por ter feito isso com você mesmo, sem ao menos voltar a falar comigo.. sobre tudo isso eu não quero comentar porque na minha memória eu só quero levar tudo o de incrível e até de difícil que passamos juntos. Tudo de bonito que você me disse, cada abraço, casa risada, eu não pretendo esquecer nunca porque você é um cara fantástico, e tenho certeza de que se céu ou inferno existissem, você estaria lá em cima, bem ao lado de Deus, se Deus existisse. E ainda, botaria uma vela gigante para elx e leves e altxs ririam de tudo e conversariam sobre tudo, porque ainda há de existir uma criatura tão boa de conversa quanto você, velho. Sempre que sonho contigo a imagem do teu rosto é a mesma, assim, feliz, tagarela e sorridente.
Ontem eu vi algumas estrelas e imaginei que fosse obra tua, algo a ver com o seu aniversário. E eu cantarolava qualquer coisa inventada na hora.. happy 23, you were not dead in my dreams..




...when our dreams killed you, feliz aniversário neste dia cheio de saudade, meu grande amigo.

Com amor - onde quer que esteja.. se estiver,
Carol

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

segunda-feira-dixie-dixie-dixieland!

Dizem que a primeira música do dia é a que fica. Hoje amanheci com uma melodia na cabeça, uma melodia familiar e que eu não conseguia de jeito nenhum me recordar quando é que havia escutado pela primeira vez. Por horas, e durante todas as atividades do dia eu cantarolava aquele inconfundível (e até incômodo, como tudo o que fica se repetindo dentro da mente) tum tum tããn. Já não aguentava mais de curiosidade de saber de onde vinha isso e foi aí, de repente, que tive um fenomenal flashback da minha infância.

Me visualizei pequenininha assistindo às fitas de desenho animado que a minha mãe sempre gravava e que eu via uma, duas, três, trocentas vezes e decorava tudo, inclusive as canções. Na televisão eu via uma banda de jazz formada por pulgas amestradas e me recordei de que há alguns meses eu havia encasquetado em procurar vários desses desenhos no YouTube e dentre os muitos que encontrei, o que mais me emocionou foi um episódio de Droopy chamado "Dixieland Droopy" no qual ele é John Pettybone, o cachorro-maestro que rege um LP de Dixieland. Durante todo o episódio ninguém deixa o coitado curtir sua música e mostrá-la aos outros em paz. Nem tinha me dado conta, mas as pulgas que eu via tão nitidamente na minha memória eram as pulgas desse mesmo desenho do Droopy, do qual eu tinha me recordado há tão pouco tempo. A cabeça tem mesmo um jeito estranho de lidar com as coisas..



Não entendo muito de jazz. Ella Fitzgerald foi o motivo pelo qual entrei em contato com esse mundo, a partir daí, o jazz passou a ocupar uma certa parte da minha vida, mas sem pretensões. É algo que aprecio muito, de verdade, mas sequer sei direito a diferença entre seus vários estilos, porque isso é coisa de quem realmente se dedica ao negócio. Até sou capaz de reconhecer algumas nuances, as mais evidentes, mas no duro, tudo o que eu sei é que a primeira música do dia é a que fica e que, com essa melodia na cabeça, dediquei toda essa segunda feira ao tal do Dixieland, que eu mal conheço.

Na verdade, tudo o que eu sei a respeito vem desse desenho do Tex Avery, de algumas passagens de On The Road do Kerouac (onde descobri o bebop) e de um documentário sobre Nova Orleans a respeito da cidade e sua musicalidade que vi há um tempo e não me recordo o título. Com esse documentário fui apresentada à Original Dixieland Jazz Band e hoje, depois da minha descoberta de pequenos momentos da infância que se ligam tão magicamente a tais especificidades, pedi arrego ao YouTube mais uma vez. Encontrei a versão original da música tocada pelas pulgas do Pee Wee Runt (homenagem ao músico Pee Wee Hunt) and his All-Flea Dixieland Group no cartoon de Tex Avery, gravada pela Original Dixieland Jazz Band:



O que mais me impressionou, no entanto foi o curso das coisas depois disso. Enquanto ouvia as canções, continuei na função de navegar pela internet, não mais em busca de coisas sobre dixieland e jazz em geral. Mas a própria web conspirou contra mim.
Estava pesquisando ilustrações de pôsteres e fliers de shows de algumas bandas punk gringas antigas (sim, eu sei. e tudo ao som de Palesteena da ODJB) e encontrei um pôster do Discharge feito pela Tara McPherson. Continuei minhas pesquisas, dessa vez em torno da arte da McPherson e acabei descobrindo - sem querer - que existe uma mulher, homônima, que é professora da University of Southern California e que escreveu e publicou um livro chamado Reconstructing Dixie: race, gender, and nostalgia in the imagined South. Não é só a mente que lida com as coisas de maneira bizarra, o mundo também. Dá voltas e nos leva para onde nunca imaginamos chegar.

Ultimamente tenho me envolvido com o feminismo, com o meu corpo e com a questão de gênero mais do que nunca. Mesmo numa tarde em que estive focada em música, em função de uma melodia ecoando a todo o tempo dentro da minha cabeça, acabei encontrando uma obra que trata justamente do tal do "Dixie" (que musicalizou toda a minha segunda-feira) e de gênero (tema que posso dizer que direciona tanto minha vida quanto meus estudos). Pude então situar uma pouco essa questão da América sulista e de sua cultura com questões de gênero e raça. Comecei a ler o Reconstructing Dixieland hoje, mas pela visualização parcial cedida pelo Google Books. Já avancei bastante na leitura, mas infelizmente não tive contato com a sua versão na íntegra.

Se alguém se interessar, o link para a visualização parcial da obra de Tara McPherson - a professora - no Google Groups é: http://books.google.com.br/books?id=JeU3G3_PueoC&printsec=frontcover#v=onepage&q=&f=false

é só clicar e a-one, a-two, a-three... ;-)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Love to all the Rebels or Rebellion for every Lover.

see cycling wheels flicks coming out we’re bikers on fire on a road with our old heavy bags remember rolled fags burning, legs moving with the joyful feeling of swallowing blotters? she licks it before she takes it.

we’re lovers or haters or we somehow care about those sad days of boredom when we got to the top.. i am there i love her & i love it just as Japhy loved the mountains eternaly free eternaly simple colors and shapes and voids they never stop to be never cease to exist she cut herself before she found her way to the exit.

*

tendências da web: fiz um tumblr e não sei qualé e nem por que, há.

domingo, 30 de agosto de 2009

Não sabe torcer?

No começo do ano ocorreu comigo o seguinte: era uma noite bonita e dia de jogo do Coritiba e, quando voltava para casa, o ônibus foi invadido por uma multidão da torcida organizada Império Alviverde. Provavelmente o resultado da partida havia sido positivo porque estavam todos cantando e gritando, agredindo verbalmente as pessoas (principalmente as mulheres que estavam sozinhas) e empurrando-as, eu mesma fui empurrada para fora do biarticulado, num tubo antes do que eu deveria descer, me sentindo a mais horrível das criaturas, indignada e impotente. Aqui, não pretendo expressar exatamente o que eu penso (mas que ocasionalmente acontecerá) e nem o que eu sei a respeito das torcidas organizadas (e do que há por trás delas) que nada têm a ver com futebol, mas com violência, opressão, ódio e ostentação. O que eu pretendo, então, é relatar como é que continuar velando tais atos, tamanhas demonstrações gratuitas de intolerância, podem contribuir com a existência deles.

Ontem, novamente, voltando de um rolê no sossego de uma noite de sábado de jogo, fui agredida. Novamente o Coxa havia ganhado, e novamente o ônibus havia sido invadido pela Império. Dar nomes aos bois aqui é caso de ordem prática, pra melhor visualizar o ocorrido. O fato de ter sido a mesma gangue [acredito que existam facções dentro do movimento, o que consiste em ganguismo. chamar um grupo desses de "torcida" (e "organizada" ainda por cima) é uma falta de respeito com o verdadeiro torcedor, aquele que vai ao estádio não para arranjar treta, mas para ver futebol, apreciar, por paixão, lazer, tanto faz] não passa também de mera coincidência. Eu poderia ser espancada ali pela Fanáticos, mesmo sendo torcedora do Atlético. Poderia sofrer agressões por parte da Fúria Independente. Não faz a menor diferença, porque independente dos resultados das partidas do Coritiba, do Atlético ou do Paraná Clube, de qualquer time em qualquer lugar de qualquer país, grandes ou pequenos, "torcedores" que se reunem a fim de mostrar suas respectivas "indignações", seja porque seu time perdeu ou porque ganhou ou por qualquer caralho de motivo que seja, por meio de situações que envolvam violências (no plural mesmo) já instituem uma "torcida organizada" que só ajuda a esculhambar mais ainda com o esporte, que há tempos já perdeu seu espírito de competição inocente para se transformar numa indústria mercenária, com clubes que acumulam cifras e cifras, e dívidas, e tudo o mais que não deveria ser, mas é.
O esporte, do jeito que o concebemos hoje, é uma das mais brilhantes invenções humanas e é uma pena que tenhamos que nos encontrar numa situação onde não se pode mais viver tranquilamente porque, para variar, o ser humano mais uma vez não conseguiu fazer um bom uso do que construiu. Eu estava no ônibus, poxa vida. Um espaço que teoricamente é de todos. E ontem eu me senti um lixo porque o espaço era meu também! É lógico que me senti ameaçada tão logo aquele bando de gente gritando e pulando entrou pela porta 3 do biarticulado e logo superlotou o veículo (só ao meu redor, eu que estava sentada num banco individual em frente ao espaço reservado para cadeirantes, haviam no mínimo 20 pessoas se empurrando e se esmagando e "comemorando" a partida bem sucedida da noite) e, justamente por estar lá, literalmente no meio da muvuca, não pude sequer tentar sair fora. Então continuei lá, esperando chegar a minha vez de descer, e durante um tempo até acreditei que nada fosse acontecer, mas aí para quebrar com aquele pacto não selado de paz (pero no mucho) um piazão desses de bosta, pirralho metido a marrento, bad boy, macho absoluto, resolveu descontar suas frustrações (possivelmente sexuais, já que tudo gira em torno disso mesmo) em mim.
"O que você tá fazendo aí, seu emo do caralho?" foi a primeira abordagem. Não tive reação alguma, sequer estava olhando para ele. A segunda, um soco forte no braço: "Tô falando com você, seu merda, bicha, emo escroto". Eu achei melhor tentar falar alguma coisa, mas o que saiu foi algo como "porra você tá louco? relaxa, cara". Ao redor dele, havia muito mais gente, a maioria meninos e meninas jovens e por incrível que pareça, alguns garotos de fato sugeriram para que ele relaxasse mesmo, "deixa ele em paz, tá susse". "Emo vacilão, tô ligado que você é caveira". Não precisava de mais nada, a caveira é o símbolo da "torcida" rival, a Fanáticos e naquele caso específico, a sentença de morte. "Você é caveira?" me perguntavam, mesmo os que haviam me defendido há pouco, já distribuindo safanões na nuca e empurrões. Meio que negando e bastante desesperada para acabar com aquela situação me levantei e corri para a porta mais a frente possível pra descer no tubo seguinte, era de novo, o único jeito. "Pode ficar de cara, emo escroto, vacilão, vaza", as pessoas comemoravam, me acertando com cotoveladas e pontapés. Meio que protegendo a cabeça com os braços e abrindo caminho na medida do possível, cheguei na porta já esperando a pior parte, um soco na cara ou algo do tipo, que estourasse enfim num espancamento que ali era iminente. Mas de repente eles, os agressores, pareceram ficar todos decepcionados: por fim perceberam que não se tratava de um "emo bicha". "É uma mina, cara", meio que chocados. "É sapata" foi a última coisa que ouvi, e nessa altura eu já estava explodindo dentro de mim mesma, querendo chorar e acabar com aquele imbecil que havia começado tudo e pulei fora o mais rápido que pude, antes que tudo piorasse. Foi quando percebi que o ônibus estava sendo escoltado pela cavalaria da Polícia Militar. Contei aos quatro ou cinco PMs que ali estavam que fui agredida e que por pouco não rolou algo pior, mas eles não pareceram se interessar muito. Falaram pra eu ir fazer um B.O. na delegacia mais próxima, e que continuariam escoltando o ônibus para que nada acontecesse. Para que nada acontecesse? "Tá acontecendo, cara" foi o que eu quis dizer na hora, mas não consegui devido ao meu completo estado de choque. Como assim? Que delegacia mais próxima? Fiquei tão completamente sem ação, olhando pra tudo aquilo que virei as costas e segui um rumo qualquer, já chorando e morrendo de raiva de todos ali, tanto daquelas pessoas se divertindo e exibindo e se vangloriando pelo seu suposto "poder" sobre outras quanto da polícia, que para variar, ao invés de cumprir a pretensa função de "proteger" a população, nada faz além de oprimir com sua força instituída.

E oras, que poder tenho eu sobre mim? Qual é a força de nós mesmxs? Que perigo é esse que corremos de apanhar tanto de pessoas comuns que se imaginam melhores de alguma forma, quanto da própria polícia? Como agir nessas horas? Que ameaça eu, sozinha ali, poderia oferecer? Que medidas legais poderiam ser tomadas, sendo que nem a lei está ao lado de quem realmente precisa? Todas essas questões podem surgir de diversas formas, e acredito que qualquer pessoa com um pouco de bom senso já se perguntou a respeito disso ao menos uma vez da vida. Eu não precisaria passar por tudo isso pra pensar dessa forma. Mas sofrer um ataque diretamente muda muito também, e não dá para simplesmente omitir um fato que é grave e que não só pode como vai se repetir muitas vezes ainda.
Mas nos silenciamos a respeito de tudo (mesmo sabendo que mudar a situação é possível, não de uma hora para a outra, mas gradualmente), porque ficar quietx e paradx é o mais fácil. Não é difícil começar a andar, o primeiro passo é não se calar diante de situações de agressão que podem ser contornadas. Podem e devem, pois não é preciso ser vítima nem nada para entender que o que vale acima de tudo é respeito. Respeito pelo meio, por nós mesmxs e pelas outras formas de vida. Conviver é possível, sim. Não se trata de sonho ingênuo, coisa boba. Trata-se nada mais nada menos do que vergonha na cara e bom senso. Um bocadinho que seja de noção não faz mal a ninguém..



*Para as "torcidas" desorganizadas, o recado é simples e direto:
Não sabe torcer? Não torça.